Blitz do Kesnault (coluna)
Quando, após sua confirmação de campeão no ano de 1991, em Suzuka, Airton Senna admitiu ter jogado propositalmente Alain Prost (naquele ano – 1990 – de Ferrari) para fora na 1ª curva após a largada no GP do ano anterior, a f-1 mudou irreversivelmente, a conduta dos pilotos. Aqueles antigos campeões ou não (homens que respeitavam as tradições do esporte e a honra dos adversários com quem haviam disputado roda a roda), se sentiram ultrajados.
É lógico que já haviam ocorrido incidentes no passado como o de Stewart e Regazzoni em Nurburgring/1972; Fittipaldi e Scheckter em Paul Ricard/973; Senna e Mansell em Spa-Francorchamps/1987 (qdo. o brasileiro sentiu a força dos dedos da mão do inglês). Mas era um fato que vinha se desenhando para um desfecho medíocre qdo. vimos Senna “costurando” em plena reta de Estoril/1988 ou em Silvestrone/1993, para deter um Prost, reconhecidamente mais veloz.
Pela primeira vez um piloto, deliberadamente, joga o seu carro contra o do adversário, com a intenção específica de tirá-lo da corrida. As testemunhas confirmaram que o som do motor Honda da McLaren de Senna não se alterou e ele manteve o pé no acelerador, mesmo qdo. o Prost entrou na curva à sua frente. Os representantes da McLaren ( que haviam trabalhado com Prost no passado), reservadamente o consolaram e pediram desculpas.
Naquela tarde de 1991, após a seguinte frase do campeão daquele ano: “´porque eu decidi que se ele entrasse na curva à minha frente, não iria completá-la.”; segmentou um código de conduta entre os pilotos com táticas intimidatórias fazendo parte da corrida por culpa da inatividade e mesmo negligência dos dirigentes de então. Nesta nova condição, a f-1 apresentou nos limiares dos anos 90, um novo discípulo de Senna no que tange a esse comportamento....(segue na próxima semana)
Texto: Fernando Kesnault.


