15 anos sem Senna. 15 anos sem um ídolo.
Quinze anos atrás, 1º de maio de 1994, morria o maior ídolo da F-1 de todos os tempos. O dia mundial do trabalho não era de folga ou festa para Senna, Schumacher, Hill e Cia. Aquele 1º de maio marcava a data da terceira etapa da temporada de F-1, GP de San Marino. Schumacher acumulava 20 pontos e Senna que não completara nenhuma das provas anteriores ainda estava zerado no placar. Senna largava na pole de uma corrida com atmosfera cinza. A morte de Ratzenberger e o acidente impressionante de Barrichello que por sorte escapou sem maiores conseqüências. Alguns pilotos queriam cancelar a prova, mas como o carrossel nunca parou nem mesmo quando um de seus “cavalinhos” morria em ação, porque iriam cancelar o circo por problemas nos ensaios?
Senna era como um herói, não apenas no Brasil. E como o Super-Homem, o Batman e o Mickey Mouse nunca morrem ou envelhecem o que poderia acontecer com Ayrton Senna? O piloto que voava com a pista encharcada com pneus para seco, poderia sofrer um acidente fatal andando em primeiro, de cara pro vento em condições normais de pista? O que parecia impossível aconteceu, morria naquele 1º de maio o herói das manhãs de domingo.
Ao contrário dos heróis dos gibis, os da vida real morrem. Mas morre apenas o corpo, porque os feitos, as lembranças e a essência deles são eternos.
Sem Ayrton o Brasil ficou órfão na Formula Um e para a grande maioria perdeu a graça, não existia mais um grande piloto brasileiro, e para os verdadeiros fãs de F-1 restou apenas a opção de torcer para um herói “made in estrangeiro” ou torcer e sofrer com a nova geração de pilotos nacionais.
Senna foi o último ídolo brasileiro no automobilismo, e com ele, Piquet e Fittipaldi o Brasil tinha se acostumado a estar sempre no centro das atenções na F-1. O fato é que de Fittipaldi até Senna não houve tempo de espera para que se surgisse um novo ídolo. Piquet ocupou o posto de ídolo antes de Fittipaldi encerrar sua carreira e assim foi com Senna em relação à Piquet. Havia sempre um período de transição e sempre ao menos 1 deles estava pronto e em condições de lutar por vitórias e títulos.
Fittipaldi e Piquet deixaram saudades, mas a gente sabe que eles estão felizes com a nova rotina. A saudade deixada por Senna é maior, maior pela dor. Senna não saiu para viver novos desafios, morreu antes de poder cumprir seu caminho na F-1.
Não fui exatamente fanático por Senna como 80% dos brasileiros na época eram. Na verdade eu era fã do... Prost, mas admirava muito o Senna, e para mim Prost sem Senna teria sido um Gordo sem o Magro e Senna sem Prost seria como o Didi sem Dedé, Mussum e Zacarias. Muitas vezes eu torcia pelo piloto dentre estes dois que estivesse atrás na tabela. Queria ver o circo pegar fogo, o Prost jogar o carro pra cima do Senna, o Senna tirar o Prost da pista em uma curva apertada. Esses foram sem dúvida os meus melhores anos de F-1, e a morte de Senna marcou para mim a única vez em que derramei algumas lágrimas por alguém que eu não “conhecia”.
Valeu pelas emoções vividas Ayrton!
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